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Raízes que contam Histórias...

A Casa dos Lagares caracteriza-se por uma empresa familiar que há várias gerações está ligada ao vinho e à vinha. Esteve sempre situada em Cheires, na Região do Douro, onde tudo isto representa um forte determinismo histórico e cultural.

 

Aqui foi fundado, no séc. XVII, um morgadio, sendo edificada uma casa (com um torreão, ainda existente), uma capela (datada de 1659) e outras construções que fundam uma exploração agrícola e terão dado origem à actual povoação de Cheires. É o ponto de partida nesta história.

 

Inicialmente a produção de frutas, cereais, horticultura, etc, foram a principal função da quinta, com o objectivo de abastecer outras unidades produtivas, que, situando-se mais próximas do rio Douro, começaram então a especializar-se na produção de vinho, necessitando de bens alimentares para suportar o crescimento da mão-de-obra utilizada. Estava-se nos primórdios da produção de vinho do Porto.

 

O crescimento das exportações de vinho do Porto origina o alargamento progressivo da área de vinha na Região do Douro e a sua demarcação. As culturas iniciais são substituídas pela vinha e pelo azeite, que se tornam a principal actividade da quinta, dando origem a novas estruturas como lagares de vinho e de azeite.

 

A actividade vitivinícola não mais cessará e vai passar ciclicamente por períodos de expansão, seguidos de épocas de depressão. Factores como a grande instabilidade politica e doenças na vinha (como a filoxera), marcarão o séc. XIX.

 

No início do séc. XX, a quinta conhece então uma época áurea, com a viticultura a passar por um período de expansão, sendo a propriedade considerada um modelo de exploração. Ao mesmo tempo, a família pertence a uma elite social que influenciará os destinos regionais.

 

Aparecem as primeiras tentativas de comercialização de vinhos engarrafados, novas tecnologias, rótulos e até marcas (ainda que sem o registo actualmente necessário).

 

Contudo, nas décadas seguintes, a viticultura entra em crise. Com o surgimento das Adegas Cooperativas, a produção passou a ser vendida em uvas, levando ao progressivo abandono dos armazéns e à degradação das construções.

 

Durante décadas apenas se manteve a exploração da vinha.

Nos últimos anos esta tendência conhece uma inversão. Renovou-se a área de vinha, com o objectivo de a mecanizar e seleccionar as melhores castas. Retomou-se o fabrico de vinho e a sua comercialização e neste estimulante desafio integrou-se o progressivo restauro do património, mantendo a sua originalidade, criando cenários autênticos e espaços de cultura e lazer.

 

Com mais de três séculos de história, este património, tem um trajecto e tradição muito próprias, cujas raízes estão na vitivinicultura. Todo ele reflecte ciclos de mudança e de adaptação constante aos novos desafios, ciente de que não há futuro sem que se conheça e assuma o passado.